TRAILER NOS CINEMAS

Para os paulistanos e cariocas que aproveitarem o final de semana para pegar um cineminha, uma boa notícia: o trailer de Encarnação do Demônio poderá ser conferido a partir de hoje em alguns cinemas das cidades.

Mas se você não vai ao cinema, não mora em São Paulo ou no Rio, e está ansioso para ter um gostinho (amargo!!!), veja o trailer no site www.encarnacaododemonio.com.br.

Um horrível final de semana!

 



Escrito por encarnacaododemonio às 19h16
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A MOJICA O QUE É DE MOJICA! A ZÉ O QUE É DE ZÉ!

Por Dennison Ramalho

 

Quarenta anos. Não foi mole para Mojica botar A Encarnação do Demônio (título original do roteiro) na telona. Foram muitas as tentativas. Muitas as tragédias. Muitos os atropelos e promessas, deixados no balcão no Bar Soberano (o ponto de encontro dos produtores e cineastas da Boca do Lixo). Houve até filmagens iniciadas... e abortadas! E, lamentavelmente, houve alguns óbitos (de produtores. Calma! Foram mortes morridas...). No documentário Horror Palace Hotel, de Jairo Ferreira, Mojica falava dessa lacuna aberta em sua obra, e da frustração de não conseguir preenchê-la. E isso já era 1978!

 

         Documentário Horror Palace Hotel 

 

Em 2001, o montador / produtor / diretor Paulo Sacramento e eu estávamos na cadeia. Não enjaulados como merecíamos (dois malucos que somos!), mas em meio às filmagens do documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro. Ele, dirigindo. E eu, como seu assistente de direção. Já estávamos com um primeiro filme de Terror engatilhado na produtora dele, a Olhos de Cão (trata-se do meu curta-metragem Amor Só de Mãe, feito em 2002). Ambos curtíamos Terror. E amávamos os filmes do Mojica (meu primeiro curta, Nocturnu, é dedicado a ele).

 

Há muito, eu já enchia 'os pacová' do Mestre. Vivia azucrinando. Desde a época da sobreloja na Rua Silva Bueno, no Ipiranga, até seu atual refúgio na região do Arouche - Centrão de São Paulo.  Queria aprender a fazer Cinema como ele, e com ele! Até de tradutor entre ele e o Rob Zombie eu já estive, durante minhas idas-e-vindas ao seu estúdio. Mas voltemos à vaca fria: eu e Paulo sabíamos que ele havia engavetado o A Encarnação por falta de produtores. Compreensível. Afinal, ele tentou durante 33 anos! Mas isso não ia ficar assim...

 

Pedi ao Mojica para ler o roteiro. Uma cópia da última versão existente caiu nas minhas mãos. Datava de 1980. Eu a li, e entendi ainda mais sua frustração: como nos dois filmes que o antecediam na trilogia (À Meia-Noite Levarei Sua Alma e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver), A Encarnação estava escrito para um jovem e atlético Zé do Caixão. Mojica estava com 65. Ele não se daria bem interpretando um personagem 35 anos mais jovem, e em seqüências de grande exigência física. Queria colocar o RUBENS MELLO para interpretar o funerário maldito (o Rubens é um jovem talento, que manda benzaço no elenco de Encarnação, no papel de um dos servos fanáticos de Zé). Não... Nessa, até o Rubens vai me dar razão: NINGUÉM, além do próprio Mojica, poderia interpretar o Zé. 

 

E é nesse momento, em setembro de 2001, em meio às grades do Carandiru e os quadrinhos de Frank Miller, que eu e Sacramento tivemos um estalo! "Por que a gente não reescreve o roteiro com um Zé do Caixão envelhecido e raivoso, tipo o Batman de O Cavaleiro das Trevas (HQ de Frank Miller, de 1987)? Que tal um Zé saído da cadeia, com obstinação redobrada no objetivo de gerar o filho perfeito?" A idéia prometia! Pra começar, a gente já sabia tudo de cadeia!  "E que tal tirar o Zé dos settings rurais dos outros filmes e confrontá-lo com SÃO PAULO?"  Macacada: foi aí que desceu a exuzada! Que nem formiga! Filtrei o roteiro original, retive o que tinha de melhor e mais aterrador. Sentei no computador e gerei um novo tratamento (mal sabia que mais 8 versões viriam pela frente). Enquanto isso, Paulo e um pequeno time de amigos formatavam o design do projeto. O plano: inscrevê-lo em Concursos de Financiamento Público - a única forma de um filme de Horror conseguir dinheiro no Brasil.

 

Com roteiro pronto, planos de filmagem, desenhos de conceito (lindos! Feitos pela cineasta Débora Waldman), orçamento e materiais ilustrativos, geramos UM LIVRO NEGRO - agourento como O Capa Preta de São Cipriano! O projeto estava de pé! E encarou diversos concursos. Mas não viu as verdinhas até 2004, quando engatou seu primeiro financiamento.

 

                        Ilustração: Débora Waldman

 

Demos duro. Mojica mais do que todos.  E agora, dinheiro na conta havia! A Encarnação do Demônio, simplificado para Encarnação do Demônio estava prestes a sair do papel! E no mesmo ano, Mojica recebia a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, tornando-se Comendador da República! Ventos de sorte! E o start foi dado na pré-produção com uma leitura analítica do roteiro. Ali foi detectada a primeira falha. Minha. Mas essa eu conto no próximo post.



Escrito por encarnacaododemonio às 21h48
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Sobre Cartaz

Por Dennison Ramalho

 

Uma das partes mais recompensadoras de se fazer um filme é a fase da criação do material publicitário. É um tesão!

A gente se fode de baciada e rala feito camelo durante anos pra fazer o filme e, de repente, você recebe uma síntese visual de toda essa empreitada num cartaz! É emocionante!

Você estica o filho-da-mãe na parede, sorri, baba, sente o cheiro do papel couché e da tinta, e não desgruda o olho. O cartaz! Vira um fetiche, uma coisa que você espera que, daqui há alguns anos, ganhe peso de ouro, seja colecionada, citada em livros, antologias de Cinema... O cartaz! Quem não queria chegar aqui?

 

Mojica sempre teve cartazes excepcionais para os seus filmes, e todos muito adequados às suas épocas e tendências. E quem conseguiu botar a mão em um não se desfaz por dinheiro algum no mundo! Diz a lenda que no antigo Bar Retrô uma edição do cartaz de Delírios de um Anormal (feito pelo falecido quadrinista Jayme Cortez) pontuava o caminho para os banheiros. Um ítem raríssimo! Já no Bar Director's Gourmet, nos Jardins, descansa, em lugar de destaque, o que talvez seja o último cartaz de O Despertar da Besta num local público de São Paulo. Já fiz uma oferta por ele. "Nem a pau, Juvenal... nem o Mojica tem esse!" - foi a resposta do dono. Eu ganhei do Paulo Sacramento um belíssimo cartaz, tamanho francês (1,30 m de altura!) de Exorcismo Negro, que restaurei e levei para o autor, o Benício (sem dúvida, o maior cartazista da história de nosso Cinema), autografar. Está comigo há muitos anos, e nele ninguém encosta!

 

Pois hoje, no dia 4 de junho do ano de número 2008 dessa era vulgar, é com grande prazer, babando de orgulho, que apresentamos a vocês, macacada amiga, fãs de Horror de todo o mundo... O CARTAZ DE ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO!!! - uma talentosa criação da Moovie!

 

Salvem em seus computadores! Façam papéis de parede de seus celulares! Imprimam! Mostrem por aí! Leiam os nomes de toda a nossa equipe, nele impressos! Enfim, comam com os olhos!  Ele agora é de vocês!

 

 



Escrito por encarnacaododemonio às 17h23
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Boa notícia para quem está em São Paulo.

 

Como modo de esquentar a audiência e dar a todos um sabor do que está por vir com o lançamento de Encarnação do Demônio, o bar Astronete abre suas portas durante todas as quartas-feiras de junho para receber uma pequena mostra de filmes antigos de Zé do Caixão. As sessões acontecem sempre às 22h e a entrada é gratuita.

 

Veja a programação:

 

 

Astronete - R. Matias Aires, 183 - Consolação (entre Augusta e Haddock Lobo)



Escrito por encarnacaododemonio às 18h17
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O Estranho Mundo de Encarnação do Demônio

Por Dennison Ramalho

 

Péssima noite para vocês, meus amiguinhos... Assim o espectador era saudado pela bruxa interpretada por Eucaris de Morais, no início de À Meia Noite Levarei Sua Alma, primeiro filme com o personagem Zé do Caixão, lançado em 1963. Era o começo do que, hoje, o mundo conhece por Cinema de Horror Brasileiro - um gênero que já viveu várias condenações ao silêncio, à censura, ao preconceito público. E como todo bom Horror é desobediente, quando todos achavam que havia acabado... ELE VOLTOU!

 

 

Eu sou Dennison Ramalho, co-roteirista de Encarnação do Demônio. A partir de hoje, começo a dividir com vocês impressões, memórias, criações e debates que tive em 13 anos de convivência com José Mojica Marins, o Mestre do Terror Brasileiro. E vou falar, e muito é claro, da realização de Encarnação - seu novo longa-metragem, que teve uma das mais extensas e acidentadas histórias de nossa Cinematografia.  Se você chegou nesse Blog, é porque ou é fã do Zé, ou porque pode vir a ser. Considerando a segunda hipótese, vamos a um pouco de história. A gestação de Encarnação teve início pelos idos de 1968. Há tanto tempo assim? Explico: 

 

Mojica criou Zé do Caixão e o trouxe às telas em 63 com À Meia Noite Levarei Sua Alma. Em 66, realizou um novo filme com Zé do Caixão, intitulado Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver. Por que fiz questão de grifar o "com Zé do Caixão" na frase anterior?  Porque o personagem teve outras aparições, em filmes como O Estranho Mundo de Zé do Caixão, O Despertar da Besta, Exorcismo Negro e Delírios de um Anormal. Só que esses eram filmes de Zé do Caixão.  Nestas "fitas" (como Mojica carinhosamente chama seus filmes), o personagem não era o funerário sádico e niilista, que buscava, a qualquer custo, uma mulher superior para gerar um filho. Sim, para quem não sabe, este é o objetivo de Zé: gerar um filho perfeito - uma criança a quem pretende doutrinar em sua filosofia homicida e amoral. Parece uma meta simples. Mas foram necessárias 400 aranhas, 20 cobras, dois suicidios, 10 assassinatos e uma descida ao Inferno (literalmente) para que Zé chegasse a Laura - a mais bela e valorosa das candidatas - na real, um espelho feminino de seus delírios. Tanto Zé quanto Mojica, às vezes, são acometidos por um bocado de azar (voltaremos a isso nos próximos posts). Assim, quando o coveiro finalmente conseguiu engravidar Laura, a moça e o bebê morrem, vítimas de uma enfermidade fulminante. Zé se revolta contra o Céu, o Inferno, as Autoridades, os Vivos e os Mortos, e acaba encontrando seu fim num lago, cercado por linchadores e cadáveres insepultos. Assim termina o segundo filme com Zé do Caixão.  Todos os outros - os filmes de Zé do Caixão - mostram-no apenas como Mestre-de-Cerimônias de contos de Terror, protagonista de pesadelos, ou até mesmo como alucinação em bad trips de LSD. O papa-defunto obstinado, personagem atuante das duas primeiras histórias, ficou pelo lago, mesmo. O que foi feito dele, ninguém nunca soube. 

 

 

E engana-se você, que pensa: ah, ele não ficou pelo lago, não! Foi para a televisão. Apresentou o Cine Trash, e anda pelo Canal Brasil... Engana-se porque esta informação correta é, ao mesmo tempo, incorreta. Porque a verdadeira (e intensa) expressão de Zé do Caixão, o personagem, somente encontra forma e integridade em seu nascedouro: a tela do Cinema. Ali Zé reina, e representa perigo e controvérsia. Se você conhece apenas o simpático rogador de pragas da TV, meu caro, você ainda não foi apresentado à Mitologia de Zé do Caixão. Essa você só vai conhecer nos filmes.  À Meia Noite Levarei Sua Alma e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver foram, à sua época, filmes de ponta no panorama do Cinema de Horror mundial. Se eu minto, a lista de prêmios do Mojica nos principais Festivais de Cinema Fantástico do mundo me avaliza! E o que você verá em Encarnação do Demônio prossegue (e como!) essa reputação extrema.

 

Mas por que quarenta anos se interpuseram entre Esta Noite e Encarnação? Por que o personagem não prosseguiu sua saga de pronto, após o segundo longa?  Diz a biografia de Mojica (Maldito - A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, de André Barcinski e Ivan Finotti - Editora 34), que Esta Noite levou milhões de espectadores ao Cinema, em números verificados. E Mojica tornou público, por décadas, o seu sonho de produzir Encarnação do Demônio e concluir a trilogia de Zé do Caixão. O que deu errado? Isso eu deixo para o próximo post.

 

  

 

 

Finalizo dizendo que tenho uma missão: Enfiar a fórceps em suas cabeças, meus amiguinhos, que seus R$ 15,00 de ingresso, a partir de 08 de agosto de 2008, os levarão a uma soberba experiência cinematográfica. Você nunca pensou que esse Cinema Brasileiro existisse. Aliás, você nunca pensou que um Cinema assim existisse! Pois existe, e está para o gênero Terror como nossos craques estão para o Futebol Mundial: entre os melhores!

 

Vá até www.encarnacaododemonio.com.br e assista ao trailer para conferir do quê estou falando. Juro por nossas baratas!

 



Escrito por encarnacaododemonio às 17h07
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Após 40 anos preso, Zé do Caixão é libertado. De volta às ruas, o coveiro está decidido a cumprir a meta que o levou à prisão: encontrar a mulher que possa gerar seu filho. Terceira parte da trilogia iniciada em 1964 com “À Meia-Noite Levarei sua Alma”.

Acompanhe neste blog informações sobre o filme e curiosidades sobre a produção.




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